ESTRESSE

Estresse: é possível viver sem?

A resposta é, definitivamente, não. Mas não se desespere: há um “nível de estresse” que é esperado que esteja presente em todo indivíduo, desde o nascimento. O termo em inglês “stress” significa “pressão, tensão”. Esse termo adveio para denominar as influências envolvidas em uma situação de ameaça ao equilíbrio. Os engenheiros utilizam a palavra para determinar a capacidade de resistência de uma ponte. O estresse seria um desgaste sofrido por um corpo em função de estar submetido por determinado tempo a um estímulo/força.

No vocabulário popular, estresse é compreendido como ansiedade, exaustão, preocupações e uma série de outras reações indesejáveis. A associação entre esses fenômenos acaba por transmitir uma ideia de causalidade e nocividade. A verdade é que sem estresse não sobreviveríamos. Do ponto de vista psicológico, o estresse pode ser considerado como qualquer situação que gere estados emocionais fortes onde se exige adaptação. Quando algo ou alguma situação ameaça alterar o equilíbrio do nosso organismo, há a ativação de um intricado conjunto de respostas comportamentais e fisiológicas, denominadas de reação de “luta ou fuga”.

Dessa forma, pode-se dizer que o estresse revela uma alteração no equilíbrio do indivíduo, obrigando-o a mudar para se adaptar a uma nova realidade. Esse fenômeno é natural e esperado, tendo em vista a dinamicidade da vida e a nossa capacidade de adaptação frente a essas mudanças a fim de garantir a sobrevivência. O problema passa a existir quando há valores excessivamente altos ou excessivamente baixos de estresse. Ou seja, o estresse pode levar à doença quando existe uma resposta inadequada, insuficiente ou exacerbada. Tais alterações são fatores relevantes relacionados a diversos transtornos psiquiátricos, como depressão, transtornos de ansiedade e outros até mais graves. Então, ao mesmo tempo em que o estresse é normal e esperado, o estresse crônico pode acarretar danos a longo prazo.

Estresse Crônico

Estresse crônico é a forma de exposição excessiva às reações ao estresse.  Diferentemente do que geralmente se pensa, reações agressivas ou explosivas não são as únicas respostas frente ao estresse. Pessoas que são conhecidas como calmas também podem ter níveis de estresse extremamente elevados. Por isso, é preciso estar atento e desenvolver autoconhecimento para poder identificar situações em que se pode estar sendo exposto de forma excessiva às respostas do estresse. São quatro situações possíveis:

  • contato frequente com diferentes fatores estressantes;

  • dificuldade de adaptação e de diminuição gradual da ansiedade frente a um estímulo repetido.

  • dificuldade de retornar ao estado “natural” após o encerramento do evento estressor, permanecendo com ativações fisiológicas. Incapacidade de encerrar as respostas ao estresse depois que o estímulo é retirado, permanecendo uma ativação do sistema nervoso simpático;

  • resposta fisiológica insuficiente ou inadequada, causando a ativação de sistemas compensatórios.

 

Considera-se que o estresse tem fases de evolução, sendo as principais: Reação de Alarme, Fase de Resistência e Fase de Exaustão. Na primeira fase há uma reação de alarme no organismo diante da situação estressora, para preparar o corpo para a luta ou fuga. Se o organismo conseguir reequilibrar-se e não estiver sendo exposto frequentemente a vários estímulos estressores, pode-se considerar que essa é uma situação natural. Não é agradável de sentir, mas faz parte da vida.

Permanecendo o contato frequente com diferentes fatores estressantes ou existindo dificuldade de adaptação e retorno ao equilíbrio, o estresse evolui para a Fase de Resistência. Nessa fase o organismo começa a sofrer um desgaste, pois há um esforço maior, que utiliza energia adaptativa. Alguns sintomas começam a aparecer, embora muitas vezes o indivíduo não consiga perceber que há um estresse excessivo, pois não está mais sentindo as reações fisiológicas típicas de luta ou fuga. Pode-se perceber cansaço, lapsos de memória, tonturas, dentre outros sintomas.

Permanecendo as dificuldades de exposição e adaptação, o organismo começa a ter desequilíbrio fisiológico maior. Nessa fase, denominada de Exaustão, geralmente as doenças psicológicas e outras condições médicas começam a aparecer. Alguns exemplos são: transtornos do humor, transtornos de ansiedade, dificuldade de tomar decisões, sensação de incapacidade de resolver problemas, hipertensão arterial, baixa imunidade, úlceras, doenças de pele, etc.

Atenção

Se você identificar estresse excessivo ou que alguns desses sinais poderá levá-lo até esse ponto, a procura por acompanhamento especializado é indicada e pode ser muito benéfica para sua saúde e qualidade de vida. Não espere estar em uma situação extrema para pedir ajuda. Nunca é tarde para mudar, mas o quanto antes, melhor!

Referências

Kapczinski, F. et al. (2011). Bases biológicas dos transtornos psiquiátricos: uma abordagem translacional. 3. ed. Porto Alegre: Artmed.

Selye, H. (1959). Stress, a tensão da vida. São Paulo: Ibrasa - Instituição Brasileira de Difusão Cultural.

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